Relacionamento abusivo

Como identificar um relacionamento
abusivo?

A maioria das mulheres não sabe identificar um relacionamento abusivo porque associam o abusivo apenas à violência física.  

A agressão física é apenas um tipo de abuso em que a violência é clara e de fácil percepção. 

No entanto, há outros abusos que podem ocorrer de  maneira mais sutil, difíceis de serem reconhecidos.

Saiba quais são os tipos  de abuso e entenda o ciclo de violência no qual estão inseridos, a fim de que você possa identificar ou prever um relacionamento abusivo, e também ajudar outras mulheres a se defenderem.

O que é um relacionamento abusivo? 

Em uma pesquisa feita pela Secretaria de Políticas para as mulheres, 54% das pessoas entrevistadas  afirmaram conhecer ao menos uma mulher que foi agredida por seu parceiro. Essa é a realidade em que nós mulheres estamos  inseridas.

 
O relacionamento abusivo é toda relação que apresenta  atos violentos contra à mulher, podendo ser  um ato físico, em que a violência é percebida facilmente, ou psicológico, mais difícil de ser reconhecido.
 
Esse tipo de relacionamento é caracterizado pelo sofrimento que causa à vítima.
Uma mulher nessa situação sente: ansiedade, confusão mental, insegurança, tristeza, baixa autoestima e esperança  de que o agressor mude e os abusos cheguem ao fim. 
 
A maioria das mulheres que estão em um relacionamento abusivo se sentem culpadas pelo próprio abuso que sofrem e não enxergam a gravidade da situação. Quando não se sentem culpadas, sentem que precisam “salvar” seu agressor, o qual apresenta um histórico de problemas familiares. Assim, seu parceiro se torna o centro de sua vida e todas as suas  atitudes são tomadas em função do que ele espera/ pensa dela.
 
A vulnerabilidade da mulher em relação ao agressor é protegida pela Lei Maria da Penha (11.340/06) que cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher; e a Lei do Feminicídio (13.104/15)  que classifica como homicídio hediondo quando uma mulher perde a vida por motivo de abuso, descriminação,  violência doméstica e afins.     
 
A violência doméstica é uma das principais consequências do relacionamento abusivo, e as formas mais eficazes de denúncia é a Central de Atendimento à Mulher  (180) e a Emergência (190).

Tipos de abusos

 

Abuso psicológico 
O abuso psicológico se inicia aos poucos e o controle que o agressor tem sobre a  vítima pode se mostrar insignificante.  Tal relação distorce o senso de realidade da vítima, a tornando um mero fantoche do agressor.  

Esse tipo de abuso começa com críticas, ofensas verbais, crises de ciúmes e  humilhação; fazendo com que a vítima se sinta inadequada em situações que está com o companheiro.  

O agressor diminui as conquistas da mulher e a isola dos seus amigos e familiares. Ele manifesta seu controle a partir de críticas baseadas nas suas próprias emoções, resultando, assim, na naturalização da violência.  

Abuso físico  
O abuso físico, da mesma forma que o psicológico, ocorre aos poucos, evoluindo de empurrões e beliscões para tapas, pontapés, entre outros. 

Na fase do abuso físico, a vítima já se reconhece em um relacionamento abusivo,  visto que as marcas dos machucados ficam visíveis. Se a vítima decide pôr fim ao relacionamento, nesta ocasião, nem sempre obtém sucesso.  

O controle emocional  torna-se  tão forte que a vítima se vê incapaz de afastar-se, ou mesmo não o faz por vergonha de assumir o fracasso do relacionamento em seu meio social.  

Agora que você conhece as principais formas de violência em um relacionamento, certifique-se de que há um respeito mútuo, flexibilidade e  companheirismo em seu parceiro.  

Além disso, repense se não há desgastes de um abuso psicológico que poderá  evoluir,  para que você não se encontre  em uma situação de risco mais tarde.  

O ciclo de violência é constituído pelos abusos psicológico, físico e também pela  chamada “fase lua de mel”, que você  verificará com mais detalhes a seguir. 

Ciclo de violência: como reconhecer 

A “fase lua de mel” é a fase em que o agressor se “arrepende” e manipula a vítima com promessas de que não irá cometer  os mesmos erros, com o objetivo de manter a vítima na relação.   Muitas mulheres acreditam em tais juramentos e retornam para a fase inicial dos abusos, sujeitando à violência psicológica, física e assim sucessivamente.  

Neste contexto, a vítima se encontra em meio a sentimentos de solidão, desamparo, ansiedade e tristeza crônica, afetando diretamente sua autoestima.   Por esse motivo, é imprescindível o apoio de familiares ou amigos para o fechamento deste ciclo tóxico.  

Como romper o ciclo de  violência?

É importante o entendimento de que o rompimento do ciclo de violência é um processo demorado, posto que a vítima está completamente envolvida em um ambiente de agressão.   A ajuda, portanto, deve ser demonstrada por meio de uma rede de acolhimento que dialoga com a mulher, sem colocá-la na posição de culpada, mas sim a tratando como vítima.   

Nós, da ONG ELA,  procuramos ser essa rede de acolhimento para mulheres vítimas de violência; pois é fundamental que a vítima procure terapia ou outras formas de ajuda especializada que contribuam para o seu processo de autoconhecimento e resgate de seus valores, sonhos e ambições.   Somos mulheres empoderadas que juntas decidimos nos unir para cuidar das vítimas de relacionamentos abusivos através dos nossos serviços gratuitos: terapia online,  consultoria jurídica e cursos.   Aos poucos, com apoio mútuo, a vítima poderá reconquistar o seu amor próprio, sua  felicidade e seu bem-estar.

Autora: juliagomesf__

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